Clube do Remo e o Baenão

Embora o Clube do Remo não seja um tema que me interesse em nada, devo falar sobre o processo de tombamento do estádio Evandro Almeida, conhecido como Baenão.
Sou técnica do DPHAC/SECULT e fui técnica do DEPH/FUMBEL onde, nos dois órgãos, existem processos de tombamento do referido imóvel. É procedimento legal a proteção do bem até a decisão final sobre o processo, seja lá qual ele for o tema a que o processo trata.
Se você dá entrada a uma aprovação de projeto, não pode começar a obra sem o devido parecer. O mesmo em relação ao tombamento. Não é lógico isto?
Sendo assim, as matérias veiculadas no Diário do Pará que fazem referência ao blog "Na Ilharga" fazem jus à etimologia, não se aprofundando na questão! E este é um erro gravíssimo para quem se propõe produzir conteúdo para a internet! Por isto o Marcos do Tempo tem postagens bissextas.
E eis que hoje a lenda criada por esse blog vira matéria de primeira página.
Isto irrita profundamente, não às instituições que estão envolvidas, mas aos seres humanos, técnicos, que ganham mal mas que trabalham com responsabilidade e celeridade, no limite do possível.Um processo de tombamento é moroso porque exige pesquisa. Embora de antemão eu, pessoalmente, não veja qualquer valor de referência que valha reivindicar o tombamento do estádio Evandro Almeida, um tombamento é um título de qualificação de um bem cultural. A pesquisa busca exaurir as questões quanto ao valor cultural daquele bem, para que não condenemos à renovação urbana referências que valem muito mais que o seu valor de mercado.
Em qualquer lugar no mundo, tombamento valoriza um bem. Em Belém, especialmente, há um sentimento de pena sobre o tombamento.
No caso do Diário do Pará, além da inconsitência de fontes da matéria que cita o blog, na matéria de hoje (a tal chamada de capa - ainda não consegui o link), um conjunto de erros primários, como confundir o nome do promotor e dos órgãos de preservação (vincula o IPHAN à SECULT, por exemplo), por si só, já traduzem a falta de credibilidade da matéria. Lamentável para um instrumento de informação que, no futuro, será tomado como fonte de pesquisa histórica...
Lamento, profundamente, tanto o post quanto a matéria infeliz do Diário e a inconsequencia de quem os fez.

Comentários

Diogo Fontana disse…
Olá!

Passei aqui pra conhecer e aproveito pra divulgar meu blog sobre História:
http://diogofontana.blogspot.com

Parabéns pela iniciativa de divulgar a História.

Um abraço,
Diogo Fontana
Goliardos disse…
Oie Cláudia, estava fazendo uma pesquisa e acabei encontrando seu blog. Muito bom. Inteligente! Parabéns.

Já estamos seguindo.

Abraços.
Claudia disse…
Obrigada pelas visitas e voltem sempre!
Amanda Pinto disse…
É triste essa situação.
Muito surpreende essa falta de pesquisa em fontes seguras (de águas de lindóia *ByPauloBonfá*) de um jornal de referência como o Diário.
Todo mundo deveria trabalhar ao menos uma semana num órgão como o DPHAC ou DPH ou Iphan pra saber o andamento de processoas de tombamento como este.
Duvido que saissem falando mal a torto e a direito.
Saudades Crodia!
;***

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