Você conhece o Murutucu?

O Blog Flanar está preocupado com a segurança das ruínas do Engenho do Murutucu. Sem me aprofundar, preciso me posicionar, embora não tenha objetivamente nada a ver com o assunto.
Nas matas da EMBRAPA e tombado pelo IPHAN, o Engenho do Murutucu é, mesmo para mim que trabalho com patrimônio, algo como enterro de anão ou cabeça de bacalhau: a gente sabe que existe, mas nunca vê. E porquê?
Ruínas são estruturas precárias, que mesmo estabilizadas oferecem riscos. A ignorância já provocou depredações e atos insanos, como o de, há alguns anos, um trator que derrubou parte das ruínas para tirar as pedras... Isso sem contar a questão de que o Murutucu encontra-se em área de mata, onde já ocorreram inclusive assassinatos em série!
Como conhecer um bem cultural? De várias formas, mas a mais primitiva é a de São Tomé: ver pra crer, tocar na ferida e se possível ainda levar um pedaço ou deixar seu nome escrito na pedra! Podemos ter acesso a publicações ou mesmo pesquisar mais a fundo para que, tendo acesso, possamos fazer mais que "tirar fotos para Orkut". Como ir a Paris só para tirar foto na frente da Torre Eiffel! Não sei se é um vício meu, mas eu gosto de aproveitar ao máximo as oportunidades e da melhor forma possível... se não for assim, prefiro nem estar.



Eu digo: quero conhecer o Murutucu. Mas nunca tive motivação efetiva para me meter nessa aventura. Prefiro outras, não menos instigantes. Mas se eu for envolvida na equipe da pesquisa Memória dos Engenhos do Pará, irei sim e com muito prazer ao Murutucu, ao Moema, ao Pacheco e a tantos outros mais.
Se é para lutar por ruínas, porque não pelas que surgem todo dia na área urbana de Belém?
Se a preocupação é de fato com a preservação do bem, indico que as pessoas busquem ou cobrem informações e ações por parte dos responsáveis. Se for só pro oba-oba, me incluam fora dessa.

Comentários

José Maria disse…
É um lugar bem bonito, infelizmente neglicenciado. E tem ainda algumas coisas que a mata cobriu e as pessoas não "enxergam" a primeira vista. O video destaca o poço, mas ainda há um aqueduto, restos da chaminé, e algumas estruturas de ferro que o mato sempre esconde rapidamente.
Walter Rodrigues disse…
Olá!

Escrevo para informá-los sobre o lançamento do meu romance “Correndo atrás”. Editado e divulgado pelo selo Desfecho romances da Editora Multifoco, Rio de Janeiro.

segue o texto da orelha:

CORRENDO ATRÁS – romance de estréia do escritor paraense Walter Luiz Jardim Rodrigues – é um daqueles romances que prendem a atenção do leitor do início ao fim. Uma narrativa clara e precisa do cotidiano de um jovem à procura de seu primeiro emprego, aventuras e principalmente respostas. O cenário é uma metrópole encerrada no coração da Amazônia, Belém do Pará. Ali o jovem Álvares Rocha (de quem não sabemos nada no início, e de quem acabamos por nos tornar amigos ou inimigos íntimos) passeia, perscruta e denuncia. O autor traz à luz uma Belém como poucos conhecem. Inadaptado ao meio social que o cerca, problemas familiares, amores frustrados, desemprego, solidão, alcoolismo, Álvares vai confidenciando, pouco-a-pouco, a sua inusitada história e revelando-nos a sua cidade. Uma história pungente, bem humorada e comovente, que poderia muito bem ser a história e os sentimentos de muitos cidadãos de qualquer uma outra grande cidade do mundo. Escrito numa linguagem concisa, dotada de um humor irônico e mordaz, o texto surpreende por sua sinceridade. Certamente, o primeiro contato com o dizer desenfreado de Álvares Rocha (e não seria o alter ego de Walter Rodrigues?) venha desagradar e até mesmo ruborizar a alguns que ainda acham inconcebível que a realidade seja apresentada sem os convencionais filtros da linguagem bem comportada. Fica aqui o alerta aos leitores da Bibliothèque Rose. E como uma vez o autor deste romance respondeu quando convocado a pensar sobre uma imagem relacionada ao livro, eu concluo esta orelha: “Dinamite com o pavio curto e aceso”. Portanto, caros leitores e leitoras, é preciso estar preparados para a “explosão” inevitável ao virar das páginas.

Abraços,

Walter.

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