Cibercultura, memória e patrimônio

Há muito tempo penso que a ação de preservação cultural sempre é uma ação de emergência, como médico de C.T.I, de pronto socorro. A gente sempre administra a situação terminal, a urgência do momento. Por maior que seja o nosso esforço, estamos sempre trabalhando no presente para resguardar referências do passado. E o presente, no segundo seguinte, já se tornou passado! Nossa mentalidade é constituída de valores acumulados de séculos, mas não sabemos articular com a própria mentalidade do presente. No máximo com soluções técnicas contemporâneas, mas o pensar ainda é do século passado.
Porém, até o maior defensor preservacionista que esteja lendo esse texto há de admitir que a mentalidade, o comportamento atual, não é o mesmo que, romanticamente às vezes, buscamos garantir. Você, leitor, está lendo um texto em um formato (tanto no tempo quanto no espaço) virtual. Você optou por ler um blog, e não um livro, ao menos nesse momento! Há uma tecitura complexa de contextos, conceitos, valores, que se tornam ainda mais complicadas quando tratamos da memória histórica.
Ultimamente tenho tido o prazer de ler um livro de um grande amigo, Fábio Fernandes: A Construção do Imaginário Cyber: William Gibson, criador da cibercultura. Mais uma vez o meu grande amigo tem me dado respostas a algumas inquietações pessoais, mas agora num discurso teórico, num texto delicioso e profundo. Vivemos num mundo múltiplo, todos nós somos extensões complexas e variadas. O homem-tipo renascentista foi superado pelo modulor corbusiano e, sem medo de sermos agora taxados de esquizofrênicos, podemos assumir a complexidade em nós mesmos. Me sinto mais confortável agora...
A memória é fundamental para formação de um substrato que nos garanta que essa fluidez tenha uma lógica. São os marcos (ou marcas) do tempo em nossas vidas, que nos garantem a individualidade, as articulações pessoais, a fuga à indistinção, da barbárie.
Esse é mais um blog. Mas é o espaço onde eu, indivíduo, imprimo meus valores, minha escrita, minhas referências. É a minha maneira, por enquanto, de articular presente, passado e futuro.

LANÇAMENTO DO LIVRO
A Construção do Imaginário Cyber: William Gibson, criador da cibercultura
Fábio Fernandes (doutor em semiótica, professor da PUC/SP, jornalista e escritor)

XII Feira Pan-Amazônica do Livro - HANGAR
LOCAL: Stand da Editora da UFPA
DIA: 27 de setembro de 2008, sábado
HORA: 17 horas

Passada a Feira, continua a venda na Livraria da UFPA, pela módica quantia de R$22,00!

Comentários

A cultura e alguns valores foram-se embora desde o momento que, para o homem, a ganancia superou todo o resto. Onde é melhor ter o dinheiro de uma reliquia (independente de qual seja) do que ter a lembraça e o todo o resto.
independente do local, como diz a minha mãe: o importante é a mensagem, seja ela virtual ou manuscrita, visual, ou não, tecnologicamente avançada ou rustica... tudo isso independe, o que mais vale é o que quer se passar. assim como tu fizeste, a tcnologia de um blog para abriri espaço para um livro de papel.
e, ou que parece, com o passar do tempo, as coisa vão se adaptando continuamente.
não sei bem, mas isso que me faz pensar.
sAlVe CLáUdIa!

Aqui é o Renato. Você ja está devidamente linkada em meu blog pessoal oficialíssimo

www.renatogimenes.bravejournal.com

Bjs!

PS obrigado por divulgar o O(s) Fim(ns) da História - valeu!
Marcos do Tempo disse…
Renato e Tainá
Parceiros de bloguisse!
Obrigada pela presença de vocês no meu mundo virtual.

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