Momento onírico

Alguns momentos na vida da gente, duvidamos que aconteceu no exato momento em que acontecem. Hoje passei por esse estado de torpor ao passar algumas horas conversando com Vicente Cecim. Uma série de acasos me levou a esse momento que, quando contei à Marina, deu-lhe a sensação que eu estava descrevendo um sonho.
A memória do dia que o conheci também tinha um cenário onírico: foi no Museu de Arte de Belém, ao lado do trabalho ("Farol") de Danielle Fonseca, que foi instalado no patamar da escadaria do Palácio Antônio Lemos.
Num momento tive a impressão que ele sabia o que eu queria ouvir, como se já me conhecesse há mais tempo. E, de certa forma, conhecia: Cecim participou da banca de avaliação da Mostra de Literaura da Escola de Governo e foi um dos responsáveis pela escolha do texto "E se fosse possível voltar no tempo?". Lemos alguns textos, ali mesmo no Instituto de Artes do Pará, vi fotografia editada na capa do jornal, tirada pelo filho, contei-lhe com naturalidade coisas que eu tinha dificuldades de verbalizar. Ele ainda me mandou por e-mail "Aqueles dois". Me lembrei de Shakespeare e Calvino; ele se lembrou de Proust, Santo Agostinho e Kurosawa; me lembrei de mim mesma. Enfim, falávamos a mesma língua, porém Cecim com uma prodigiosa fluidez e talento.


"tarde demais
Fim de Aqueles dois, Ali
A viagem a Andara não tem fim"



Entendi: agora preciso tanto do Cesto quanto da Lança.

Comentários

que legal!
já aconteceu dessas comigo, mas acho que era criança.. e isso na infância não é raro.
:)
p.s: eu quase não consigo parar de ler, li, li,li e reli tanto que nem sei por onde to lendo se começo ou fim.

adorei "aqueles dois"
Maria Emília disse…
Eu acredito mesmo que o tempo é uma invenção dos homens. Já Júlio Verne escrevia sobre a máquina do tempo.

Beijos

Maria Emília

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