De Bené Fonteles para Max Martins

Recebi de Brasília, do iluminado Bené, essa resposta ao meu aviso sobre a passagem de Max, e posto na íntegra o e-mail.
Repasso, na certeza que os deuses saberão re-encaminhá-lo.

Querida Claudia

para nosso irmão Max
pode ter sido apenas um alivio
e uma felicidade, está no reino encantado dos poetas
agora ele realmente é uma luz de estrela

leia este texto de reflexão sobre mortevida

abração do Bené



Reflexões sobre a Vida
Bené Fonteles / janeiro 2009

"Morrer meio que põe alguns de nós em nós a sós no fundo sedutor de um sacrário nem de todo aberto vazando pra fora um eterno mistério interior que não carece nunca de desnudamento...

A memória do ser distante inacessível como um deus que só se toca pelo imaginado ou quando admiramos seus feitos e os torna-mos um ser quase mítico que beira a aura do santo e a força de um herói postos numa outra realidade mágica agora não carece mais nossos pesares e enternecimentos ridículos e mórbidos...

Não se precisa ter medos de quem se foi ou nunca se foi já que posto sem poder dar-nos o esquecimento o que precisamos é se livrar dos apegos de quem temos pontas sutis de inveja por que agora está irremediavelmente livre de tudo e de todos nós a sós com sua imensidão quase infinita...

Não há mais o que se possa dar além da prece que acreditamos possa ser tão útil ou do alivio quando o defunto era tão pesado ou ainda do não sentir apego que vivido em silêncio e em certo segredo por ter muitas e diversas utilidades práticas para quem pensa que ficou realmente vivo...

O real é que só a morte pode tirar do improvável e do impossível o que ficou invisível no corpo do que nunca será enterrado ou virou cinzas e que se torna outra matéria de ilusão e sonho quase prosa no começo do mais belo dia e quase poesia no fim da mais feia noite isso para que mereceram vier a Vida como Ela gosta sem medo sem apego e sem culpa...

O fato é que viramos espécies em extinção de assombração e encanto para muita conversa futura e poucas estórias presentes a não ser que sejam de contos de trancoso quando viramos às vezes seres mitológicos e entramos no imaginário do povo e ai é a glória eterna nos recria e guiamos os sonhos de muitas civilizações com nossa arte de viver para o sonho e para a alegria nossa dos outros...

Nós antes de passarmos desta para um paraíso ou um inferno bem melhor ainda vamos ter que provar muito do gosto de coisas que nem sempre queremos sentir e amar como a dor que a mente mente para o que o corpo sente e ele pensa que está sentindo aquilo naquele lugar quando é só a mente que finge o que sente e arma uma armadilha sutil que paira além da dor como que para a alma transcender a miragem causal da ilusão...

E o corpo do espírito sai vitorioso se enobrece esquece aquela lama entre os ossos e re-inaugura de novo um CorpoLuz que vai assombrar a eternidade que já começou aqui e agora quando temos a coragem de chamar-mos tudo que morre a todo momento de uma palavra plural por nome VIDA."

Comentários

Jaqueline disse…
Pelo menos ele está melhor que nós. E boas idéias ficam para sempre.

Beijos

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