Maravilhoso!

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A bem da verdade, começamos tarde a lembrar o motivo porque estávamos lá. Houve uma agitação muito grande da imprensa, muitas equipes entrevistando em bloco e em revezamento de equipe: parecia uma grande ciranda. Eram clowns, atores, diretores, bailarinos, arquitetos, historiadores, escritores, representantes dos grupos afro descendentes e, claro, dos pássaros juninos.
Ester Sá estava no comando. Me confidenciou que deu tanta entrevista que não sabia mais pra quem.
Iracema Oliveira com o pássaro Tucano e o Tem-Tem emocionou a todos, relembrando as várias histórias naquele espaço.
Timidamente e temerosos fomos entrando. O crime tá expresso: o telhado que ainda aparecia nas fotos do Daniel, já não existe; as paredes foram estrategicamente quebradas, esperando que a ação do tempo e da gravidade dê o sinal pro coro do ih caiu!
O Teatro São Cristóvão está lá, semi intacto. A Associação dos Chauffeurs sofreu mais. Quero saber se o tombamento municipal incidiu sobre o estado atual do edifício da Associação ou se eles registraram a situação anterior. Alguém sabe me responder? Não consigo entender a lógica, se há, do não-tombamento do São Cristóvão: ele tem valor arquitetônico (não é o mais relevante), valor histórico e cultural (indiscutíveis), valor referencial (só ficar meia hora na porta do prédio para ouvir tantas histórias de vida dos moradores de São Braz) e, é claro, risco de desaparecimento. E me vem Honorato me falar que sobre o São Cristóvão só incidiria o registro imaterial (?!), por isso o parecer tombou o edifício da Associação e condicionou a construção de um Memorial ao Teatro São Cristóvão (?!?!). Me sinto sem pé diante dessa retórica... Eu, Mardock e Renato diluíamos o fel da nossa certeza de sermos tão ingênuos. Os dois se deliciavam com o espaço que acabavam de conquistar.
Neste momento vejo os representantes dos grupos de tradição popular subindo na beira do palco, o Antônio Ferreira fazendo a apresentação da Iracema, todos vendo aquele espaço tomado de mato e lixo recomposto em mesas e memórias; olho pro lado e no edifício, dezenas de pessoas observavam, e algumas aplaudiam. Tento registrar essa platéia insólita, mas não há máquina capaz de congelar essa emoção. Todos esperam pelo palco iluminado e embebido em som.
Tantos tios, avós, amigos já fizeram a história daquele espaço, e nós estávamos lá reconfigurando essas memórias.
Na calçada surge João de Jesus Paes Loureiro. Muitos não acreditavam que ele de fato fosse aparecer; acho que alguns pensavam que ele não fosse real. Fiz uma reverência e saí dessa cena que já não me pertencia.

Comentários

Portella1311 disse…
Via matéria sobre o teatro no Dia´rio do Pará. http://www.diariodopara.com.br/noticiafull.php?idnot=31516

Precisamos olhar mais para nosso passado pois ele que nos formou.

Abraços e parabéns Claudia

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