Uma história de amor

Às 18 horas do dia 4 de setembro de 2008, recebi um SMS de um grande amigo dizendo:
"Você viu? Fernando Torres morreu... :-("
Ao que respondi em dois momentos: "Sério? Que coisa..." seguido de: "Esquisito receber uma notícia dessas assim, e de você!"
"Eu também acho! Você não sabe o susto que eu tomei; achei que havia morrido!"
Antes que achem que é um papo de doido, que não tem nada a ver com a temática do blog, esclareço: esse blog, além das questões sobre patrimônio cultural, registram os meus Marcos do Tempo. E o que Fernando Torres tem com isso?
Num tempo longínquo, em uma terra distante, eu fazia teatro amador. Um grande amigo (o do SMS) dizia que eu tinha talento e me deu o apelido muito exagerado de Fernanda Montenegro! Eu tasquei-lhe a alcunha de Fernando Torres. Não por nada: na década de 1980 Fernando Torres passou a expor o seu talento na vitrine virtual da televisão e toda uma geração (que acompanhava o trabalho desse homem no teatro) pode entender a magnitude de sua estrela. Fernando foi um dos maestros da construção do que poderíamos chamar de atual dramaturgia brasileira. Era fácil admirar a prima donna Fernanda Montenegro, mas Fernando tinha o dom da sutileza, da discrição e da precisão.
Não vou me lembrar o que escrevi num e-mail à produtora da Fernandona, Carmen Mello, nesse mesmo momento, mas sei que abri o coração dolorido da perda de referência tão cara aos sonhos de quem, um dia, pensou em trilhar os mesmos caminhos desse casal genial da cena nacional.
Hoje, abrindo meu e-mail, chorei mais uma vez:
"Prezada Claudia,
vivemos e não sabemos o que podemos influir na vida de quem nos vê, nos cerca, nos observa.
Vou guardar sua carta como referência do que Fernando transcendeu como pessoa e artista.
Todo o meu reconhecimento por suas palavras sobre Fernando e sobre o casal que fomos e continuamos sendo.
Em meu nome e no de meus filhos, muito obrigada.
Fernanda Montenegro"

Com a atenção dedicada desta deusa, me emociono mais uma vez, na certeza de que nunca fui merecedora de ser comparada a estrela de tamanha grandeza.
Fernanda Montenegro, minha eterna reverência!

Comentários

meu sonho, quando fazia teatro, era ser igual a fernanda montenegro...
mas como de praxe eu era um ser estranho lá... uma criança de 10 anos reverenciando Um Mosntro Montenegro, e, ao contrario dos amiguinhos, não queria ser atris paracasar com o galã das 6h
auhoeaiuhe
beijinhos
Claudia disse…
A gente tem que saber muito bem quem reverenciar!!!
As pessoas realmente grandes são capazes de gestos simples e verdadeiros. Os deuses são éticos.
Ah! E só pra registro: junto com a morte do Fernando Torres morreu também uma amizade de mais de 20 anos... É, a gente tem que aprender, na porrada, quem realmente é grande!
Claudia disse…
Mas nunca desistir de tentar encontrar seres do nosso planeta, né, Tainá!

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